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Livros de Cabeceira: Goor – A Crónica de Feaglar 1

  • Foto do escritor: Francisco Fiúza
    Francisco Fiúza
  • 28 de fev.
  • 2 min de leitura

Goor - a crónica de Feaglar vol. 1

A fantasia tem uma coisa curiosa. Quando funciona, não é apenas um mundo inventado. É um lugar onde acabamos por viver durante algumas páginas. Foi essa sensação que me voltou ao ler Goor – A Crónica de Feaglar I, de Pedro Ventura, um livro ao qual regresso agora com a distância do tempo e com a memória ainda viva da primeira viagem.

O início mantém o ritmo próprio de muitas obras de fantasia que precisam de apresentar o seu universo. Há um tempo de construção, de posicionamento das peças no tabuleiro. Mas a narrativa ganha fôlego quando surge a princesa Gar-Dena e o enredo começa finalmente a abrir caminho para a ação e para o verdadeiro desenvolvimento das personagens.

Um dos aspetos que mais se destaca neste primeiro volume é a transformação de Thalian. A sua passagem de homem perdido a soldado fiel ao rei Feaglar e à própria Gar-Dena dá densidade humana à história e cria uma ponte eficaz com o leitor. Não é apenas movimento de enredo, é evolução interior.

Também merece nota a presença das figuras femininas, fortes física e espiritualmente, com particular destaque para Gar-Dena. Não surgem como simples ornamento narrativo. São motor ativo da história e ajudam a sustentar o equilíbrio do mundo criado.

As descrições das cidades, dos cenários naturais e dos espaços místicos continuam a ser um dos pontos sólidos da obra. Há uma sensação constante de viagem, como se cada capítulo abrisse um novo território diante do leitor. O mundo de Feaglar constrói-se com consistência suficiente para ser facilmente visualizado.

No fim, permanece aquela vontade silenciosa de continuar caminho. E isso diz muito sobre a eficácia do primeiro volume. Cumpre o seu papel: apresenta o universo, estabelece as personagens e deixa a porta entreaberta para o que vem depois.

Reencontrar Goor hoje foi também recordar a ambição da fantasia portuguesa que ousa criar mundos próprios. E isso, por si só, já merece ser sublinhado.

Que a brisa da noite vos traga serenidade.

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