Há livros que passam por nós, e há livros que ficam. Rapto em Lisboa ficou. Não só pela história, mas pela forma como me apanhou desprevenido e me puxou para dentro dela, como se tivesse entrado na caravela ao lado de Saulo, sentido o calor sufocante de São Tomé e ouvido o silêncio pesado do convento onde deixaram Leah.
Passei recentemente pela antiga Estrada Nacional 390, entre Cercal do Alentejo e Vila Nova de Milfontes, e deparei-me com um detalhe discreto mas cheio de significado: os trabalhadores estavam a substituir o N por um R nas placas, a velha N390 tornava-se oficialmente R390.