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Casa nova

  • 31 de jan.
  • 1 min de leitura

Há sempre um dia seguinte aos lugares que fecharam. Não é o dia do luto nem o da festa. É só o dia em que se acorda e a vida continua, com menos ruído e mais noção do caminho.

Escrever aqui ensinou-me sobretudo isso: que os sítios não fazem a escrita. Ajudam, acolhem, às vezes empurram. Mas o gesto vem de antes e vai depois. As palavras não pedem plataforma, pedem tempo. E atenção.

Agora escrevo noutro lugar. Não por fuga, não por moda, não por pressa. Porque fazia sentido. Porque o texto precisa de chão firme, de continuidade, de não estar sempre a olhar por cima do ombro para ver se a porta fecha.

Este texto não é anúncio nem despedida atrasada. É só um marco. Uma estaca no chão a dizer: continuo aqui. A escrever como sempre escrevi. Com dúvida, com silêncio, com essa teimosia tranquila de quem acredita que escrever ainda serve para alguma coisa.

O resto é paisagem.

Seguimos.

 
 
 

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Escrevo para pensar melhor o mundo e o lugar que ocupo nele. Sem pressa, sem fórmulas. Este espaço junta palavras, silêncio e caminho. O resto acontece pelo meio.

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